Não são raros os casos de jogadores que eram muito criticados em um clube e depois “encontraram o seu lugar ao sol” atuando em outras equipes. O atacante Juan é um deles. O jogador, revelado no São Paulo, era bastante cornetado e cobrado pela torcida em seus anos no Morumbis, mas hoje em dia deu a volta por cima com a camisa do Goztepe, da Turquia, e promete ser um dos protagonistas da janela de transferências que se inicia em breve.

O atacante, atualmente com 24 anos, fez a sua estreia como profissional no Tricolor em 2019, e permaneceu no clube até 2024. Por mais que tenha protagonizado momentos importantes, fazendo parte do elenco vencedor da Copa do Brasil e Supercopa do Brasil, o jogador, que na maior parte do tempo foi o principal reserva de Calleri, ídolo para grande parte da torcida, nunca caiu nas graças das arquibancadas do Morumbis.

Em entrevista à ESPN, Juan admite que considera exagerada a pressão que enfrentou em seus anos no São Paulo, mas garantindo que não foi exatamente isso que o motivou a se transferir.

“Óbvio que não vou dizer que é comum uma pressão como essa que sofri, mas eu, desde a base, estava acostumado a vivenciar esse ambiente do profissional do São Paulo. Então acaba que a gente aprende a lidar muito cedo. Mas talvez o Juan, naquele momento, não estivesse tão preparado quanto está hoje, mentalmente, também a nível de campo. Eu era um talento de Cotia que precisava de minutos para que pudesse adquirir a confiança, porque, de fato, você só adquire jogando. E por mais que a gente tenha participando, era um elenco recheado. Fomos campeões da Copa do Brasil, foi algo muito importante para o clube, mas ainda assim eu precisava daquela sequência. A minha decisão de não permanecer no clube foi justamente por isso. Eu tenho total respeito e carinho pelo clube, o clube que abriu as portas para que eu pudesse estar vivendo o que eu estou vivendo, e foi mais por uma decisão simples de que eu precisava jogar. Eu entendia que na minha posição era o Calleri, que estava vivendo a melhor temporada da carreira dele. Eu sabia disso e também sabia da pressão que era substituí-lo. Então acho que foi o momento de colocar a cabeça no lugar, e o que eu falei para os meus empresários é que eu queria me desenvolver na Europa.”

Apesar da saída não ter acontecido da melhor forma, com Juan optando por se transferir quando seu contrato estava acabando, o carinho do atacante pelo Tricolor permanece intacto, e, além de seguir acompanhando o time, cogita um dia voltar.

“Eu sou muito grato ao São Paulo, a tudo que vivi ali. Eu simplesmente sinto que não era o meu momento, mas nada impede de futuramente isso se tornar realidade e colher os frutos que a gente plantou desde a base, que é poder dar alegria ao torcedor são-paulino e ser feliz no clube que a gente ama. acho que eu tenho um trabalho a terminar no São Paulo. Sempre que eu posso acompanho. O fuso horário é grande, aqui a gente tem seis horas de diferença, acaba sendo um pouco difícil.”

Porém, vendo o bom momento que o atleta se encontra, com 11 gols na atual temporada pelo Goztepe, esse eventual retorno ao Brasil deve demorar bastante. E Juan já está até mesmo recebendo sondagens de clubes maiores, com uma transferência sendo cogitada para os próximos meses.

“Eu tenho uma expectativa bem alta, né, acho que toda atleta a cada temporada projeta dar um passo maior. É o que eu busco e também é a forma como o clube aqui trabalha. Isso também me deixa tranquilo, porque o clube quando a gente define ficar aqui, pela metodologia do clube, é um clube que eles querem preparar para o mercado e ajudar que o atleta possa dar esse próximo passo e crescer. Mas eu estou bem tranquilo, estou confiante que aquilo que eu fiz essa temporada vai atrair boas coisas. Agora recentemente a gente teve uma proposta do Lille, da França. O clube optou por segurar mais um tempo, mas creio que o meu próximo passo está bem alinhado. Quando chegar o momento certo de sair, eu acho que o clube também vai compreender e fazer com que eu possa viver esse meu sonho de crescer cada vez mais.”

A boa fase tem muito a ver com a excelente recepção que Juan teve na Turquia, a ponto dele, que chegou primeiramente emprestado pelo Southampton, da Inglaterra, ter optado por permanecer: “Nessa temporada eu fiz essa escolha, eu poderia concluir mais esse ano aqui e retornar ao Southampton, mas graças a Deus a minha primeira temporada aqui foi muito boa, atingi bons números, consegui aparecer mais para o mercado. Desde o princípio o projeto foi para que a gente tivesse essa porta de entrada na Europa, e eu acho que isso foi bem projetado, foi bem executado. Acho que foi uma decisão inteligente. São clubes do mesmo grupo, mas de repente eu me mudando para a Inglaterra, a gente começaria tudo do zero novamente, teria que mostrar tudo novamente e aqui é um mercado da qual já estou adaptado.”

Ex-colega de São Paulo ajudou na adaptação

Atuando na Turquia, Juan reencontrou, agora como adversário, um amigo que fez nos tempos em que ainda estava nas categorias de base do São Paulo, Gabriel Sara, meia que defende o Galatasaray.

“O Sara, apesar de ser de uma geração diferente, tive a oportunidade de conviver com ele um pouco em Cotia antes dele subir para o profissional. Quando a gente se enfrenta, a gente bate um papo, conversa. E vamos vivenciando os dois lados, né, eu posso falar um pouco do lado que a gente está vivendo, mas sabemos que às vezes precisamos encurtar o caminho. É sempre bom estar escutando quem está um passo à frente para que a gente possa fazer as coisas direitinho e também um dia chegar lá.”

Além do adversário, Juan também tem outros brasileiros ao seu lado, caso dos zagueiros Héliton e Allan Godói, além dos também atacantes Janderson, Guilherme Luiz e Jeh, todos eles no elenco do Goztepe.

“Quando eu chego aqui, tinham três ou quatro brasileiros no time e aí foram chegando outros. Hoje nós estamos com seis, sete, então isso também foi um fator importante. Porque a gente sempre consegue se reunir, fazer o nosso churrasco. Ameniza a saudade do Brasil.”

Fonte: ESPN